Gerenciar o conhecimento organizacional necessário para a sustentabilidade das empresas é um dos principais desafios que surgem nas organizações no cenário internacional.

Boris Díaz *

Esta questão foi abordada por autores como North e Kumta (2014), que destacam a relação entre o valor do conhecimento intrínseco dos funcionários e a importância de gerenciá-lo adequadamente. Na indústria audiovisual, quando um colaborador está na organização há muito tempo, o acúmulo de conhecimentos e experiências resultantes de seu trabalho será difícil de recuperar em um novo trabalhador, tendo assim um alto nível de treinamento.

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Por outro lado, é comum constatar que muitas organizações do setor realizam grandes investimentos tecnológicos e descobrem que não estão sendo plenamente exploradas devido à falta de transferência de conhecimento para os operadores diretos dessa tecnologia.

Essa situação destaca a ameaça permanente que existe no setor, no momento em que tudo gira em torno da administração de informações com iniciativas como Big Data e Business Intelligence, nas quais é evidente que não se trata apenas de contar com informação, mas para encontrar uma maneira de aproveitá-la e, acima de tudo, para garantir como transformá-la em conhecimento e protegê-la para o uso e o benefício da organização.

Para isso, é necessário rever a relação entre os resultados econômicos e de produtividade nas empresas e a gestão de intangíveis; onde muitas empresas, apesar de terem processos de qualidade, são afetadas por esse fenômeno que aflige organizações que competem em mudanças de áreas, onde o conhecimento, o acesso à informação e as novas tecnologias são essenciais.

Betancur (2015), argumenta que os ativos do capital intelectual podem ser imersos no consciente ou inconsciente dos funcionários tacitamente (que residem neles) ou implícitos (documentados dentro da organização), até mesmo representados em costumes ou regulamentos. Hoje, a gestão do conhecimento é tão valorizada em ambientes corporativos que conceitos como ativos intangíveis têm sido regulados no âmbito das normas internacionais de contabilidade, como as NICs e IFRS, que definem as condições sob as quais os intangíveis devem ser valorizados. economicamente como ativos, estimando seu valor justo nos casos em que a lei assim o exige, como afirma Pombo (2015).

Tendo em conta os elementos utilizados nas definições, propõe-se a seguinte abordagem conceptual:
 Gestão do Conhecimento: Processo pelo qual a gestão dos fluxos de conhecimento é facilitada e aquela que vem das diferentes fontes de conhecimento, internas e externas à organização, é transformada para configurar o potencial de conhecimento da mesma. .
 Capital Intelectual: É a existência total de recursos com base no conhecimento que a empresa possui.
 Know-how: É a experiência que uma pessoa ou organização tem para desenvolver suas atividades, sejam elas produtivas, administrativas, financeiras, comerciais e / ou de controle.

Referentes como Nonaka e Takeuchi (1999), abordam como o conhecimento se concentrou em teorias administrativas para aumentar a produtividade nas empresas, deixando definições rigorosas para envolver conceitos mais inovadores, que buscam converter o conhecimento tácito em explícito, e sua relacioná-lo com um nível de conhecimento individual, de grupo, organizacional e interorganizacional. Eles propõem um dos modelos mais populares que serviriam como uma ponte entre as culturas oriental e ocidental conhecida como Espiral do Conhecimento, consistindo de quatro estágios (Socialização, Exteriorização, Combinação e Internalização), como visto na figura Espiral do Conhecimento.

A Tiwana (2002), por outro lado, apresenta um modelo que teoricamente permite projetar um sistema único de gestão do conhecimento para as diferentes Organizações, dividido em quatro etapas: avaliação de infraestrutura, sistema de análise GC, projeto e desenvolvimento, Sistema de lançamento e, finalmente, o retorno sobre o investimento e avaliação de desempenho, como mostrado abaixo:

Tabela 1. Roteiro da gestão do conhecimento em etapas 10

As referências acima são modelos e teorias administrativas que servem junto com outras, como base para a aplicação de um modelo próprio que se ajusta às necessidades particulares de cada organização na indústria audiovisual. O grande desafio é encontrar uma maneira de integrar as posições de gestão do conhecimento e capital intelectual, de uma forma que se adapte às condições particulares de cada organização e proteja o conhecimento existente nelas, nas pessoas que as compõem e que hoje eles são seu principal ativo.

A partir deste objetivo surgem questões fundamentais aplicáveis ​​individualmente para cada organização, tais como:

 Existem políticas claras para realizar processos sensíveis da organização, como Pré-produção, Produção, Pós-produção, Emissão / Distribuição, Gerenciamento de Conteúdo e Arquivo?
 Quanto afeta a organização que o conhecimento é perdido com a aposentadoria dos funcionários?
 Quais são os principais problemas causados ​​pelo "vôo" do conhecimento na organização?
 Quais métodos podem ser usados ​​para que a experiência e o know-how dos funcionários sejam mantidos como ativos intangíveis da empresa?
 Quais são os conhecimentos e experiências que poderiam ser considerados como capital intelectual na empresa?
 Em cuja cabeça estão esses conhecimentos e experiências? É parte do conhecimento explícito da empresa?
 Onde e como você documentou esse conhecimento?

Na indústria audiovisual, observa-se que o conhecimento desempenha um papel especial, pois um dos seus fatores diferenciadores mais importantes é o avanço acelerado da tecnologia. A própria existência das organizações e sua sustentabilidade ao longo do tempo, dependem da capacidade da empresa de absorver tecnologia e implementá-la na melhoria de seus processos para manter sua participação no mercado e assim garantir uma vantagem competitiva sustentável no tempo.

O mercado audiovisual é altamente dinâmico, há alguns anos a mídia dominante era indiscutivelmente rádio, imprensa e televisão; Hoje, estratégias são claramente encontradas em torno de conceitos como Transmídia, Crossmedia e Indústrias 4.0, que respondem pela evolução da indústria. A dinâmica do mercado responde a diferentes circunstâncias e diferentes atores que fazem parte dela.

Mudanças nas necessidades de clientes e consumidores, tecnologias emergentes, as capacidades dinâmicas da concorrência e da indústria, determinam a velocidade com que a empresa pode ficar fora do mercado. Não entender essa dinâmica e a importância do conhecimento nela inserido, simplesmente garante a obsolescência do conhecimento, da tecnologia e do serviço oferecido pela empresa ao seu público-alvo. Isso garante sua saída do mercado.

Manter a empresa em competição significa entender a dinâmica da mudança e fazer parte dela. Para isso, as dimensões humanas, estruturais e relacionais do Capital Intelectual são fundamentais, pois permitem o contato entre os agentes do sistema e os processos da empresa. Da mesma forma, permite a transformação da informação em conhecimento, e dela em inteligência, facilita o processo de feedback (feedback) permanente e necessário para garantir a melhoria contínua que a empresa requer em um mercado dinâmico, como sugerido por Chávez (2017).

Em suma, trata-se de entender que o conhecimento técnico especializado é tão importante quanto o conhecimento especializado comercial e administrativo para garantir a melhoria contínua dos processos, a inserção de tecnologia e a geração permanente de valor para clientes e consumidores, melhorar a imagem (branding), levando em conta a relação com a sociedade (responsabilidade social) e o meio ambiente (responsabilidade ambiental).

Nesse sentido, o modelo a ser implementado em uma organização da indústria audiovisual deve integrar em uma espiral permanente os elementos necessários para facilitar o trabalho da organização, gerenciando seus conhecimentos individuais, coletivos e organizacionais para garantir sua sustentabilidade econômica, social e ambiental ( também legal), no tempo.

* Boris Díaz é Engenheiro Eletrônico, Especialista em Gestão Tecnológica e Mestre em Gestão de Inovação Tecnológica. Com anos 25 na indústria de televisão e mídia audiovisual, ela desempenhou vários cargos técnicos, administrativos e agora comerciais desde a Era Electrónica, onde atualmente atua como Diretora Comercial.

Richard Santa, RAVT
Autor: Richard Santa, RAVT
editor
Jornalista da Universidade de Antioquia (2010), com experiência em tecnologia e economia. Editor das revistas TVyVideo + Radio e AVI Latin America. Coordenadora Acadêmica da TecnoTelevisión & Radio.

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